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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

A Vantagem do Predador


Predadores bem sucedidos são mentalmente flexíveis e resilientes, mesmo quando são pegos.

Sim, eles são. E aposto que você está confuso porque muitas vezes encontra casos onde alguns desses predadores demonstram uma total desorganização em seus atos, ou um grande descontrole emocional. Mas é agora que devemos enfatizar a palavra ALGUNS, e é agora que devemos ter bem claro que na Saúde mental como um todo qualquer generalização induz ao erro, à um diagnóstico equivocado e nesse caso, ao perigo! 

Predadores bem sucedidos preparam-se antecipadamente. Eles consideram todos os ângulos para o caso deles serem pegos e precisarem se explicar, então é difícil pegá-los em flagrante. Eles estão em alerta o tempo todo, isso é cansativo e por isso que exige uma grande capacidade de estar atento aos detalhes e de raciocinar com rapidez e lógica (frequentemente chamamos isso de ser calculista e de agir com frieza).

Um exemplo real foi envolvendo o famoso Serial Killer Jeffrey Dahmer:

"Em maio de 91 Dahmer quase foi pego. Um jovem de 14 anos chamado Konerak escapou do apartamento de Jeffrey – nu, sangrando, mas um pouco sedado. Duas mulheres o viram na rua, e chamaram assistência. Dahmer apareceu antes da polícia, e as mulheres viram o jovem tentando resistir ao assédio de Jeffrey, embora sem condições de falar muita coisa. 

Elas tentaram dizer isto aos policiais, quando estes chegaram; mas Jeffrey Dahmer disse à polícia que o garoto era maior de idade e que eles eram amantes, e a história ficou por isto mesmo. O jovem não falava inglês e a polícia acompanhou Dahmer enquanto este levava o jovem de volta para o apartamento. Na cama de Dahmer estava o corpo de um outro homem, morto há três dias. Mas a polícia, no apartamento, só viu fotos de Konerak vestindo um biquíni preto.

Quando os policiais foram embora, Dahmer não se preocupou: voltou às suas “brincadeiras” com Konerak, e o matou."

Como eles fazem isso?

1. Eles estabelecem um objetivo: Eles sabem o que querem e o que será necessário para conseguirem isso. Eles não são inibidos pela possibilidade de causar dano ou mal, eles permanecem focados.

2. Eles criam um plano: E esse plano não abrange apenas como eles irão conseguir o que desejam; o plano também inclui rotas de fuga: Como irão sair de alguma situação inesperada ou aparentemente sem saída (por exemplo, que história vou contar se eu for confrontado? O que eu preciso levar comigo? Como eu devo agir? O que devo fazer para corroborar a minha versão? Com quem eu preciso entrar em contato(aqui traduzimos: quem eu posso usar?) pra confirmar a minha história? E etc.

3. Eles compartimentam muito bem: Eles perdem anexos emocionais que são responsáves por provocar sinais de incômodo, ou sentimento de constragimento em situações onde as pessoas "normais"são pegas cometendo algum ato ilegal ou moralmente questionável. Predadores treinam-se para não apresentarem esses sinais, e com facilidade tornam-se outra pessoa ou assumem perante a sociedade diferentes papeis que os deixam livres de quaisquer suspeitas. Alguns não sentem remorso naturalmente, outros adquirem essa habilidade.

Ao aprenderem a se passar por indivíduos normais - honestos, confiáves - eles sabem como agir enquanto o plano está em ação e durante a fuga. Eles se recuperam com rapidez de situações arriscadas, e em uma fração de segundos assumem a sua "história de capa" com facilidade.

O Serial killer Dennis Rader (BTK) sempre levava com ele uma sacola de compras, inclusive quando deixava os locais dos seus crimes para o caso de ser parado e questionado por algum policial. Ele queria que acreditassem que ele estava na área para fazer compras inocentemente, e com frequência deixava o carro estacionado próximo de alguma loja.
Denis Rider era um pai de família exemplar, chefe da congregação da igreja, e aterrorizou por mais de 20 anos a cidade de Wichita.

O sucesso dos predadores depende em parte de quão bem eles estudam suas presas, eles funcionam em um contexto diferente no que se refere a aprender as coisas. Se eles te perguntarem sobre seus filhos ou animais de estimação, eles não o fazem porque estão interessados verdadeiramente em você; e sim porque estão avaliando potenciais obstáculos - ou metas. Eles estão procurando "deixas" e avaliando possibilidades.

Por nos estudarem, eles sabem que a maioria de nós tem uma facilidade peculiar para bloquear coisas que não acreditamos que realmente ocorram - somos vulneráveis à falsidades que melhor combinam com nossos quadros perceptivos (mecanismos de defesa, desejos e carências).

Um exemplo de predador podemos encontrar no livro “Meu vizinho é um psicopata”, da Martha Stout, Ph.D., em seu capítulo 4, onde conta a história de uma psicóloga de 34 anos, bonita, bem vestida, que dirigia uma BMW, e que era extremamente querida no hospital em que trabalhava, mas que escondia uma outra faceta: menosprezava seus colegas de trabalho e manipulava todos ao seu favor.


Após inúmeras “sabotagens” (incluindo colegas do próprio hospital e pacientes que tiveram uma piora no seu quadro), descobriram que a psicóloga não tinha registro e muito menos diploma de doutorado como alegava, apenas o fato de que aos 22 anos formou-se em psicologia em sua cidade natal. 

Os predadores usam deflexão, padrões sociais e a falta de informação para ter cobertura. Muitas vezes eles usam charme e personalidade artificiais, e um sucesso que não existe para ganhar a confiança das pessoas. Eles permanecem relaxados porque eles tem um plano de saída no lugar; e como estão confiantes de que funcionará eles não ficam nervosos.

Algumas semanas atrás, um homem extorquiu uma mulher do Brooklyn (EUA) no valor de 9.500 dólares. Ele fingiu ser alguém que ela conhecia, disse que precisava do dinheiro para pagar a fiança do irmão, e que ele enviaria alguém para pegar o dinheiro com ela. Ela entregou o dinheiro a um estranho e não soube de mais nenhuma notícia do suposto amigo, já que ele não atendia mais as suas ligações. Depois disso resolveu contar o acontecido para uma amiga que foi atrás, e então ela descobriu que havia sido enganada. Como ela pode ter dado tanto dinheiro a alguém que ela não conhecia? Acreditar na história foi mais fácil do que aceitar que ela poderia ser um alvo, e que poderia ser tão facilmente enganada.

Predadores sabem como desviar a nossa atenção, eles sabem o que é preciso para enganar o cérebro. Nós queremos acreditar que não somos vulneráveis, por isso é mais fácil aceitarmos uma explicação enganosa que alinha com o que esperamos que seja verdade. Os predadores criam um quadro no qual administrar a nossa atenção. Eles sabem o que é preciso para enganar o cérebro. Queremos acreditar que não somos vulneráveis, por isso é mais fácil aceitar uma explicação enganosa que alinha com o que esperamos seja verdade. E nos deixamos seduzir com mais facilidade ainda se o indivíduo for charmoso e engraçado, apresentar um sorriso vencedor, se vestir bem,  e conversar sobre suas conquistas e mentindo com uma suavidade praticada.

Nas interações sociais, nós assumimos significados ao que os outros dizem; então investimos pessoalmente em nossas ações e mostramos possuir certos tipos de costumes - pois acreditamos na boa imagem que esses costumes transmitem. Nós tendemos a dar muita importância às aparências. Em parte, é um mecanismo de defesa, mas em parte queremos que os outros pensem bem da gente e querermos pensar bem dos outros. Predadores reconhecem essa necessidade, e é aí que eles nos pegam.


Até hoje muitos acreditam na versão armada por Charles.
Considere a história do Tenente Charles "GI Joe" Gliniewicz. Pai de um menino de 4 anos, ele havia sido um oficial de polícia dedicado por 30 anos, doando grande parte do seu tempo livre para o programa Kids Explorer. No entanto, ele estava se aproximando da aposentadoria e por isso pareceu extremamente injusto quando em 1 de setembro de 2015, ele foi morto a tiros enquanto procurava três homens, em uma tentativa de roubo que ele havia reportando, solicitando reforço. Muito dinheiro foi gasto perseguindo seus assassinos e honrando-o.

Mas em uma investigação apareceu um lado sombrio. Durante sete anos, Gliniewicz apresentou a imagem de um herói limpo que se importou com crianças, ao mesmo tempo em que desviava milhares de dólares dos fundos dos Exploradores. Ele sabia que um novo administrador contratado para auditar os livros de finanças descobriria seu roubo. Textos apagados sugeriram que ele considerou se matar; na verdade ele não havia sido assassinado por bandidos. Ele era um cara ruim que se matou e encenou para que se parecesse com um homicídio, para proteger sua reputação. Com charme e uma fachada de generosidade, ele mexia nos bolsos das pessoas. Mesmo na morte, ele tentou desviar atenção do povo.

Predadores bem sucedidos estão preparados, e eles têm diferentes perfis de atuação e podem apresentar vários níveis desse desvio de personalidade, chamado de Psicopatia. Ao contrário do que pensamos, a maioria não comete atos violentos:

"- Muitos estão entre nós, agindo como predadores sociais que conquistam, manipulam e abrem caminho na vida cruelmente, deixando um longo rastro de corações partidos, expectativas frustradas e carteiras vazias”, descreve Robert Hare.
Eles sabem como nos enganar, e eles não têm receio de fazê-lo, se isso ajudá-los a obter o que querem.

Referências: 

- Sem consciência” (editora Artmed, 2012)- Robert Hare

- Meu vizinho é um psicopata - Martha Stout
http://murderpedia.org/male.R/r/rader-dennis.htm


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