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quarta-feira, 29 de julho de 2015

Caso da Semana: Andrei Chikatilo - O Canibal de Rostov




Vida Pregressa

Andrei Chikatilo nasceu no vilarejo de Yablochnoye (Yabluchne) na moderna Sumy Oblast da Ucraniana SSR. Ele nasceu após o período de fome na Ucrânia causada por Joseph Stalin que forçou a coletivização da agricultura. Fazendeiros Ucranianos foram forçados a entregar a totalidade da sua colheita para distribuição em todo o estado. A fome em massa corria desenfreada por toda a Ucrânia, e os relatos de canibalismo subiram. A mãe de Chikatilo, Anna, contou a ele que o seu irmão mais velho Stepan havia sido sequestrado e canibalizado por vizinhos famintos, embora esse fato nunca tenha sido confirmado.

Os pais de Chikatilo eram trabalhadores da fazenda que viviam em uma cabana de 1 cômodo. Quando era criança, Chikatilo dormia numa cama de solteiro com seus pais. Ele sofria de enurese crônica e era repreendido e espancado por sua mãe a cada infração.

Quando a União Soviética entrou para a 2°Guerra Mundial, seu pai Roman foi convocado pelo Exército Vermelho e foi preso após ser ferido em combate. Durante a guerra, Chikatilo testemunhou alguns dos efeitos de Blitzkrieg, que o assustava e o excitava ao mesmo tempo. Em uma ocasião, Chikatilo and sua mãe foram forçados a assistir a cana em que moravam ser queimada até ser reduzida a cinzas.Em 1943, enquanto o pai de Chikatilo estava na guerra, a mãe de Chikatilo' deu a luz a uma garotinha. Em 1949, o pai de Chikatilo havia sido liberado pelos americanos e voltou para casa. Ao invés de ser recompensado pelo seu serviço de guerra, foi tachado de traidor por se render aos alemães.

Tímido e estudioso quando criança, Chikatilo era um ávido leitor de literatura comunista. Ele também era alvo de bulliyng. Durante a adolescência, ele descobriu que sofria de impotência crônica, piorando a sua inaptidão social e o ódio por si mesmo. Chikatilo era tímido na companhia de mulheres: sua única experiência sexual como adolescente, foi quando ele aos 17 anos, pulou numa amiga da sua irmã de 11 anos e a derrubou no chã; ejaculando nela quando ela usou as mãos para lutar com ele.

Em 1953, Chikatilo acabou a escola e solicitou uma bolsa de estudos para a Universidade do Estado de Moscow; embora ele tenha passado no exame para ingressar na Universidade, suas notas não era boas o suficiente para ser aceito. Entre 1957 e 1960, Chikatilo cumpriu o serviço militar obrigatório.


Casamento e Carreira de Professor

Chikatilo, seu Filho e sua Esposa.
Em 1963, Chikatilo se casou com uma mulher que foi apresentada à ele pela sua irmã mais nova. O casal teve um filho e uma filha. Chikatilo mais tarde reivindicou que sua vida sexual com a esposa era mínima, e que depois que a sua esposa entendeu que ele era incapaz de manter uma ereção, ele e sua esposa concordaram que uma vez que a esposa consentisse, ele ejacularia fora e colocaria o sêmen dentro dela com os próprios dedos. Em 1965, a filha do casal Ludmila nasceu, seguida pelo filho Yuri em 1969. Em 1971, Chikatilo concluiu um curso por correspondência de Literatura Russa e obteve a pontuação necessária para obter o título na Universidade de Rostov.

Chikatilo começou a sua carreira como professor de Língua e Literatura Russa em Novoshakhtinsk. Sua carreira de professor chegou ao fim em Março de 1981 depois de diversas denúncias de abuso sexual contra seus pupilos, de ambos os sexos. Chikatilo finalmente conseguiu um emprego como balconista de abastecimento para uma fábrica.

Início dos assassintatos

Em Setembro de 1978, Chikatilo mudou-se para Shakhty, uma pequena cidade perto da mineração de Rostov-on-Don, onde ele cometeu seu primeiro assassinato documentado. Em 22 de Dezembro, ele atraiu uma menina de 9 anos de idade chamada Yelena Zakotnova para uma casa velha que ele secretamente havia comprado; ele tentou estuprá-la, mas falhou quando tentou obter uma ereção. Quando a menina começou a se debater ele a sufocou até a morte e esfaqueou o seu corpo, ejaculando durante o ato. Chikatilo depois desovou o corpo de Zakotnova em um rio próximo.

Yelena Zakotnova
Apesar das evidência que ligavam Chikatilo a morte da garota (manchas de sangue da menina foram encontradas na neve próxima a casa de Chikatilo, e uma testemunha deu à polícia uma descrição detalhada de um homem muito semelhante a Chikatilo com quem ela havia visto conversando com Zakotnova no ponto de ônibus, onde a garota foi vista viva pela última vez), um homem de 25 anos chamado Alexsandr Kravchenko que na adolescência, havia cumprido pena na prisão por estupro e assassinato de uma adolescente, foi detido pelo crime e que logo após confessou o assassinato. Ele foi julgado por assassinato em 1979. No seu julgamento, Kravchenko voltou atrás na sua confissão e manteve a sua inocência, afirmando que a sua confissão havia sido obtida sob extrema pressão. Apesar da sua retratação, ele foi condenado pelo assassinato com uma sentença de 15 anos de reclusão (o tempo máximo possível de prisão naquele tempo). Sob pressão dos parentes das vítimas, Kravchenko foi julgado novamente e executado pelo assassinato de Lena Zakotnova em Julho de 1983.

Depois do assassinato do Zakotnova, Chikatilo só foi capaz de alcançar a excitação sexual e o orgasmo através do esfaqueamento e da ,mutilação de mulheres e crianças até a morte, e ele declarou mais tarde que o desejo de reviver a experiência o dominava.

Chikatilo cometeu seu próximo assassinato em Setembro de 1981, quando ele tentou fazer sexo com uma estudante de 17 anos chamada Larisa Tkachenko em uma floresta próxima ao Rio Don. Quando Chikatilo falhou ao tentar conseguir uma ereção, ele ficou furioso e agrediu e estrangulou a menina até a morte. Como ele não tinha faca, ele mutilou seu corpo com seus dentes e com uma vara.

 Larisa Tkachenko
Chikatilo não demorou parar resistir aos seus instintos homicidas: entre Julho e Dezembro de 1982, ele matou aproximadamente 6 vítimas e com idades entre 9 e 19 anos. Ele estabelecia uma abordagem paternal com crianças, fugitivos e jovens vagabundos em estações de autocarro ou de comboio, seduzindo-os para uma floresta próxima ou outra área isolada para matá-los, usualmente por facadas, cortando e eviscerando a vítima com uma faca; embora algumas vítimas recebessem uma multiplicidade de ferimentos a faca, também eram estrangulados ou golpeados até a morte. Muitos dos corpos encontrados possuíam estrias ou furos nas órbitas oculares. Os patologistas concluíram que os ferimentos foram causados por uma faca, levando os investigadores a concluir que o assassino tinha arrancado os olhos de suas vítimas.

Corpo de uma das vítimas
As vítimas mulheres e adultas de Chikatilo eram frequentemente prostitutas ou mulheres sem teto que poderiam ser atraídas para áreas isoladas com promessas de álcool ou dinheiro. Chikatilo normalmente tentava manter relações sexuais com essas vítimas,mas ele normalmente era incapaz de conseguir uma ereção, levando ele a uma fúria assassina, principalmente se essas mulheres zombassem da sua impotência. Ele somente conseguia atingir o orgasmo quando ele esfaqueava a vítima até a morte. Suas vítimas crianças eram de ambos os sexos; Chikatilo atraia essas vítimas usando uma série de artifícios, usualmente inciando uma conversa com as vítimas, prometendo-lhes assistência ou companhia; com a oferta de mostrar a vítima um atalho; uma chance de ver selos raros, filmes ou moedas ou com uma oferta de alimentos ou doces. Ele geralmente dominava essas vítimas uma vez que ficava sozinho com elas; amarrava as mãos atrás das costas com um pedaço de corda, para depois matá-las.


Investigação

Chikatilo não matou novamente até Junho de 1983, mas ele matou por 5 vezes antes de Setembro. O acúmulo de corpos e as semelhanças entre o padrão de feridas das vítimas obrigaram as autoridades soviéticas a reconhecer que um serial killer estava à solta: em 6 de Setembro de 1983, o Ministério Público da URSS ligou formalmente seis dos assassinatos acometidos ao mesmo assassino.

Mikhail Fetisov
A equipe de polícia de Moscow, liderada pelo Major Mikhail Fetisov, foi enviando para Rostov-on-Don para comandar a investigação. Fetisov concentrou as investigações ao redor de Shakhty e autorizou um especialista em análise forense, Victor Burakov, a conduzir a investigação. Devido à enorme selvageria dos assassinatos, muito do esforço da polícia se concentrou em cidadãos doentes mentais, homossexuais, pedófilos conhecidos e criminosos sexuais, a polícia trabalhou lentamente com todos os conhecidos para eliminá-los do inquérito. Alguns homens jovens confessaram os assassinatos, embora eles fossem geralmente jovens deficientes mentais que tinham admitido os crimes somente sob interrogatório prolongado e muitas vezes brutal. Três homossexuais conhecidos e um criminoso sexual condenado cometeram suicídio como resultado de táticas de mão pesada dos investigadores, mas como a polícia obteve confissões dos suspeitos, os corpos continuaram a ser descobertos provando que os suspeitos que já haviam confessado não poderiam ser os assassinos que a polícia estava buscando: Em Outubro de 1983, Chikatilo assassinou uma prostituta de 19 anos, e em Dezembro um estudante de 14 anos chamado Sergey Markov.


Os Assassinatos Continuam

Em Janeiro e Fevereiro de 1984, Chikatilo matou duas mulheres no Parque de Aviadores de Rostov. Em 24 de Março, ele atraiu um garoto de 10 anos chamado Dmitry Ptashnikov para longe de um quiosque de selos em Novoshakhtinsk. Enquanto caminhava com o garoto, Chikatilo foi visto por diversas testemunhas que estavam aptas para dar aos investigadores uma descrição detalhada do assassino; quando o corpo de Ptashnikov foi encontrado três dias depois, a polícia também encontrou uma pegada do assassino e amostras de sêmen e saliva nas roupas da vítima.

Em 25 de Maio, Chikatilo matou uma jovem, Tatyana Petrosyan e sua filha Svetlana de 11 anos de idade, em uma floresta fora de Shakhty. Petrosyan conheceu Chikatilo muitos anos antes do seu assassinato. Em 19 de Julho, ele havia matado 3 mulheres jovens com idades entre 19 e 22 anos, e um garoto mais velho de 13 anos.

Tatyana Petrosyan
No verão de 1984, Chikatilo foi demitido de seu trabalho como balconista de abastecimento por roubo de propriedade. A acusação tinha sido apresentada contra Chikatilo em Fevereiro, e ele foi convidado a demitir-se em silêncio, mas se recusou a fazê-lo já que havia negado as acusações contra ele. Chikatilo encontrou outro emprego como balconista de abastecimento em Rostov em 1 de Agosto.

Em 2 de Agosto, Chikatilo matou uma garota de 16 anos de idade, Natalya Golosovskaya,  mo Parque dos aviadores, e em 7 de Agosto ele matou uma garota mais velha de 17 anos nos bancos do Rio Don, antes de pegar um vôo para Uzbekistan capital de Tashkent para uma viagem de negócios. Na época que Chikatilo retornou a Rostov em 15 de Agosto, ele havia matado uma jovem e uma garota de 12 anos de idade. Duas semanas depois, um garoto de 11 anos foi encontrado estrangulado, castrado e com seus olhos arrancados  em Rostov antes que uma jovem bibliotecária, Irina Luchinskaya ser assassinada. 


Prisão e Libertação

Em 13 de Setembro de 1984, exatamente uma semana depois do seu 50° assassinato, Chikatilo foi visto por um detetive disfarçado tentando atrair uma jovem mulher para fora de um ponto de ônibus de Rostov. Ele foi preso. Uma busca em seus pertences revelaram uma faca e uma corda. Também descobriram que ele era alvo de um inquérito por roubo aberto por um de seus ex-empregadores, o que deu aos investigadores o direito legal de mantê-lo detido por um período prolongado de tempo. A descrição física de Chikatilo combinava com a descrição do homem visto com Dmitry Ptashnikov em Março. Entretante esses fatores provaram ser evidências insuficientes para condená-lo pelos assassinatos. Ele foi considerado culpado pelo roubo da propriedade de seu empregador anterior e condenado a um ano de prisão. Ele estava livre em 12 de Dezembro de 1984, após cumprir 3 meses de pena.


Em 8 de Outubro de 1984, o chefe do Ministério Público Russo formalmente ligou 23 casos de assassinatos a Chikatilo, e invalidou todas as acusações contra os jovens deficientes mentais que já haviam confessado os assassinatos.

Bolsa de Chikatilo que foi apreendida


Na sequência do dia  06 de Setembro (assassinato de Irina Luchinskaya), mais nenhum corpo foi encontrado com a mutilação que era a marca dos assassinatos de Chikatilo. E os investigadores de Rostov teorizaram que o assassino desconhecido pode ter se movido para outra parte da União Soviética e continuou matando por lá. A polícia de Rostov enviou boletins para toda a União Soviética, que descrevia os ferimentos que o assassino desconhecido assassino infligiu as suas vítimas; e solicitou feedback de qualquer força policial que tinha descoberto vítimas de assassinato com ferimentos correspondentes com as vítimas encontradas na Rostov Oblast. A resposta foi negativa: nenhuma outra força policial havia encontrado vítimas de homicídio com feridas correspondentes a descrição.


Assassinatos Tardios e Caçada Humana

Após a sua libertação da prisão, Chikatilo encontrou um novo trabalho em Novocherkassk e manteve-se inativo. Ele não matou novamente até 31 de julho de 1985, quando assassinou um jovem perto do Aeroporto de Domodedovo, perto de Moscou. Um mês depois, Chikatilo matou uma outra mulher na Shakhty. Ambas as vítimas estavam ligadas à caça ao assassino.

Em Novembro de 1985, um procurador especial chamado Issa Kostoyev foi nomeado para supervisionar a investigação. Os assassinatos desconhecidos ao redor de Rostov foram investigados novamente e com cuidado, e a polícia começou uma nova bateria de questionamentos aos agressores sexuais conhecidos. No mês seguinte, Voluntários do povo de Druzhina renovaram o patrulhamento das estações ferroviárias nos arredores de Rostov. A polícia também tomou a iniciativa de consultar um psiquiatra, Dr. Alexandr Bukhanovsky, o primeiro a ser consultado em uma investigação sobre serial killer na União Soviética.

Bukhanovsky produziu um perfil psicológico de 65 páginas sobre o assassino desconhecido para a polícia, descrevendo o assassino como um homem com idade entre 45 e 50 years, de inteligência média, provavelmente casado (ou havia sido casado), mas que também era um sádico que só conseguia atingir excitação sexual vendo as vítimas sofrerem. Bukhanovsky também argumentou que como muitas das mortes haviam ocorrido em dias de semana perto de transporte de massa e em todo o Rostov Oblast, que o trabalho do assassino exigia que ele se deslocasse regularmente, e com base nos dias reais da semana, quando os assassinatos ocorreram, era mais provável que o assassino seguisse um cronograma de produção.

Chikatilo acompanhou cuidadosamente as investigações, lendo jornais e relatórios sobre a caçada ao assassino e mantendo seus instintos homicidas sobre controle; durante o ano de 1986 não se sabe de nenhum assassinato que tenha sido cometido por ele. Em 1987 Chikatilo matou três vezes; em uma ocasião ele matou enquanto estava numa viagem de negócios, bem longe de Rostov Oblast e nenhum desses assassinatos foi ligado à caçada em Rostov. O primeiro assassinato de Chikatilo em 1987 foi cometido em Maio, quando ele matou um garoto de 13 chamado Oleg Makarenkov em Revda. Em Julho, ele matou outro garoto em Zaporozhye e um terceiro em Leningrad em Setembro.

Em 1988, Chikatilo matou três vezes, assassinou uma mulher não identificada em Krasny-Sulin em Abril e dois garotos em Maio e Julho. Seus primeiros assassinato continham feridas semelhantes as infligidas nas vítimas ligadas à caça ao homem que matou entre 1982 e 1985, mas como a mulher havia sido morta com uma laje de concreto, os pesquisadores não tinham certeza se deveriam ligar o assassinato à investigação.

Em Maio Chikatilo matou um menino de 9 anos em Ilovaisk, Ukraine. As feridas no garoto não deixaram nenhuma dúvida de que o assassino tinha feito vários golpes, e este assassinato foi vinculado à caça ao homem. Em 14 de Julho, Chikatilo matou um garoto de 15 anos chamado Yevgeny Muratov na estação Donleskhoz perto de Shakhty. O assassinato de Muratov também foi ligado à investigação, embora seu corpo não tenha sido encontrado até Abril de 1989.

Chikatilo não matou de novo até 8 de Março de 1989,quando ele assassinou uma garota de 16 anos, no apartamento vago de sua filha. Ele desmembrou seu corpo e escondeu seus restos em um esgoto. Como a vítima havia sido desmembrada, a polícia não ligou seu assassinato à investigação. Entre Maio e Agosto, Chikatilo matou mais quatro vítimas, três delas foram mortas em Rostov e Shakhty,embora somente duas das vítimas tenham sido ligadas ao assassinato.

Em 14 de Janeiro de 1990, Chikatilo matou um garoto de 11 anos em Shakhty. Em 7 de Março, ele matou um garoto de 10 anos chamado Yaroslav Makarov no Jardim Botânico de Rostov; e eviscerou seu corpo que foi encontrado no dia seguinte. 

Em 11 de Março os líderes da investigação, chefiados por Mikhail Fetisov, realizaram uma reunião para discutir o progresso feito na caça ao assassino. Fetisov estava sob intensa pressão por parte do público, da imprensa e do Ministério do Interior em Moscou para resolver o caso: a intensidade da perseguição nos anos até 1984 tinha diminuído se comparado entre 1985 e 1987, quando Chikatilo matou apenas duas vítimas conclusivamente ligadas ao assassino - ambas em 1985. Em março de 1990, mais seis vítimas haviam sido ligadas ao assassino. Fetisov observou desleixo em algumas áreas de investigação, e advertiu que as pessoas seriam demitidas se o assassino não fosse apanhado em breve.

Chikatilo matou mais três vítimas até agosto de 1990: Em 4 de abril, ele matou uma mulher de 31 anos de idade na floresta próxima à estação Donleskhoz, em 28 de julho ele atraiu um menino de 13 anos de uma estação de trem e o matou no Jardim Botânico de Rostov. E em 14 de agosto, ele matou um menino de 11 anos de idade perto da praia de Novocherkassk.


A Armadilha

A descoberta de mais vítimas provocou uma operação maciça por parte da polícia; como várias vítimas tinham sido encontradas em estações de uma rota ferroviária através da Rostov Oblast, Viktor Burakov - que tinha sido envolvido na caça ao assassino desde 1982 - sugeriu um plano para saturar todas as estações maiores na Rostov Oblast com um policial uniformizado, com a intenção de desencorajar o assassino de tentar atacar em qualquer um desses locais, e com estações menores e menos movimentadas patrulhadas por agentes secretos, onde suas atividades seriam mais propensas a serem notadas. O plano foi aprovado, e tanto os policiais uniformizados e como aqueles à paisana foram instruídos a questionar qualquer homem adulto na companhia de uma jovem mulher ou criança; além de anotar seu nome e número de passaporte. A polícia mobilizou 360 homens em todas as estações em Rostov Oblast, e apenas policiais disfarçados nas três estações menores - Kirpichnaya, Donleskhoz e Lesostep - na rota através do Oblast onde o assassino tinha atuado mais freqüentemente, em um esforço para forçar o assassino a atacar uma dessas três estações. A operação foi implementada em 27 de outubro de 1990.

Em 30 de outubro, a Polícia encontrou o corpo de um menino de 16 anos chamado Vadim Gromov na Estação Donleskhoz. Gromov havia sido morto em 17 de outubro, 10 dias antes da Implementação da Iniciativa. No mesmo dia que o corpo de Gromov foi encontrado, Chikatilo atraiu um outro garoto de 16 ano de idade chamado Viktor Tishchenko, para fora de uma estação de trem de Kirpichnaya.


Vigilância

Em 6 de Novembro de 1990, Chikatilo matou e mutilou uma mulher de 22 anos chamada Sveta Korostik na floresta perto de Estação Donleskhoz. Ao deixar a cena do crime, ele foi visto por um policial disfarçado. O policial observou Chikatilo se aproximar de um poço e lavar como mãos e o rosto. Quando ele se aproximou da Estação, o policial disfarçado observou que o casaco tinha grama e havia manchas de terra na altura dos cotovelos. Chikatilo também tinha uma pequena mancha vermelha na bochecha. Para o oficial, ele parecia suspeito. A única razão pela qual as pessoas entram na floresta perto da estação naquela época do ano era para colher cogumelos selvagens (um passatempo popular, na Rússia). Chikatilo não entanto, não estava vestido como um andarilho típico de floresta; ele estava vestindo um traje mais formal. 

O policial parou Chikatilo e verificou seus documentos. Não tendo nenhuma razão formal para a prisão, Chikatilo não foi detido. Quando o policial voltou para seu escritório, ele apresentou um relatório de rotina formal, indicando o nome da pessoa que ele parou na estação de trem.

Em 13 de Novembro, o corpo de Korostik foi encontrado. A polícia convocou o oficial encarregado da vigilância na Estação Donleskhoz e analisou os relatórios de todos os homens da semana anterior. O nome de Chikatilo estava entre aqueles relatórios e seu nome era familiar a vários oficiais envolvidos no caso, depois de ter sido questionado em 1984 e colocado na lista de suspeitos de 1987.

Após uma verificação com os empregadores atuais e anteriores de Chikatilo, os investigadores foram capazes de colocar Chikatilo em várias cidades e vilas nos momentos em que várias vítimas ligadas à investigação haviam sido mortas. Ex-colegas de dias de ensino de Chikatilo, disseram aos investigadores que Chikatilo havia sido forçado a renunciar seu cargo de professor devido a queixas de abuso sexual de vários alunos.

Polícia colocou Chikatilo sob vigilância em 14 de Novembro Em vários situações, especialmente em estações trens ou ônibus, ele foi observado abordando as mulheres jovens solitárias ou crianças e tentando envolvê-las na conversa; se a mulher ou a criança interrompa a conversa, Chikatilo esperava alguns minutos, e em seguida procurava um outro parceiro de conversa. Em 20 de novembro, depois de seis dias de vigilância, Chikatilo saiu de sua casa com um balão de um litro de cerveja, em seguida, apareceu em torno Novocherkassk, tentando fazer contato com as crianças que encontrava pelo caminho. Ao sair de um café, Chikatilo foi preso por quatro oficiais à paisana da polícia.


Prisão

Após a prisão, Chikatilo deu uma declaração reivindicando que a suspeita contra ele fora um erro; queixou-se também que havia sido preso em 1984 pela mesma série de assassinatos. Uma análise do suspeito revelou mais uma evidência: um dos dedos de Chikatilo tinha uma ferida. Médicos legistas concluíram a ferida era consequência de uma mordida humana. A penúltima vítima de Chikatilo foi um jovem fisicamente forte de 16 anos de idade. Na cena do crime a polícia encontrou numerosos sinais de uma luta física feroz entre a vítima e seu assassino. Apesar de um osso do dedo ter sido quebrado e sua unha ter sido toda mordida, Chikatilo nunca havia procurado atendimento médico para as feridas. A busca nos pertences de Chikatilo, revelou que ele estava em posse de uma faca dobrável no momento da sua detenção.

Chikatilo foi colocado em uma cela dentro dos quartéis da KGB em Rostov com um informante da polícia, que foi instruído a iniciar uma conversa com Chikatilo e retirar qualquer informação possível dele.

No dia seguinte, 21 de Novembro, um interrogatório formal foi iniciado com Chikatilo. O interrogatório de Chikatilo foi realizado por Issa Kostoyev. A estratégia escolhida pela polícia era obter uma confissão que levasse Chikatilo a acreditar que ele era um homem muito doente precisando de ajuda médica. A intenção dessa estratégia era dar a Chikatilo, a esperança de que se ele confessasse, ele poderia não ser processado por razões de insanidade. A polícia sabia que o seu caso contra Chikatilo era extremamente circunstancial, e sob a Lei Soviética eles tinham apenas 10 dias para manter um suspeito preso antes de liberá-lo ou de serem cobrados. 

Durante o interrogatório Chikatilo negou repetidamente que havia cometido os assassinatos, apesar de ter confessado que molestou seus alunos durante sua carreira como professor. Ele também escreveu vários ensaios para Kostoyev, que embora fossem evasivos sobre os assassinatos, revelaram sintomas psicológicos consistentes com os escritos do Dr. Bukhanovsky em 1985. As táticas de interrogatório usadas por Kostoyev podem também ter deixado Chikatilo na defensiva: o informante que dividiu uma cela na KGB com Chikatilo informou a polícia, que Chikatilo disse que Kostoyev perguntou a ele repetidamente e de maneira direta sobre as mutilações infligidas às vítimas.

A Confissão de Chikatilo

Em 29 de  Novembro, a pedido de Burakov e Fetisov; Dr. Aleksandr Bukhanovsky, o psiquiatra que em 1985 havia escrito o perfil psicológico do assassino desconhecido para os investigadores, foi convidado a ajudar no interrogatório do suspeito.  Bukhanovsky leu alguns trechos do perfil psicológico de 65 páginas para Chikatilo; em 2 horas Chikatilo confessou 36 assassinatos que a polícia havia ligado ao assassino do perfil psicológico: apesar de ter negado 2 assassinatos adicionais que a polícia inicialmente havia ligado à ele. Em 30 de Novembro, ele foi formalmente acusado por esses 36 assassinatos, quer foram cometidos entre Junho de 1982 e Novembro de 1990.

Chikatilo confessou mais 20 assassinatos que não haviam sido ligados ao caso, ou porque os assassinatos tinham sido cometidos fora de Rostov Oblast, ou porque os corpos não haviam sido encontrados ou, no caso de Yelena Zakotnova, porque um homem inocente havia sido condenado e executado pelo assassinato.

Em Dezembro de 1990, Chikatilo levou a polícia ao corpo de Alexey Khobotov, um garoto que ele confessou ter assassinado em 1989 e enterrado em um bosque próximo do Cemitério de Shakhty, provando sem sombras de dúvida de que ele era o assassino. Mais tarde ele levou os investigadores aos corpos de outras duas vítimas que ele confessou ter assassinado. Três das 56 vítimas que Chikatilo confessou ter assassinado não foram identificadas ou encontradas, mas Chikatilo foi condenado ao assassinato de 53 mulheres e crianças entre os anos de 1978 e 1990. Ele foi mantido na mesma cela em Rostov-on-Don, onde ele havia sido detido em 20 de novembro para aguardar julgamento.


Avaliação Psiquiátrica

Em 20 de Agosto de1991, depois a conclusão do interrogatório de Chikatilo e da reconstituição de todos os assassinatos em cada cena de crime, Chikatilo foi transferido para o Instituto Serbsky em Moscou para uma avaliação psiquiátrica de seis dias para determinar se ele era mentalmente competente para ser julgado. Chikatilo foi analisado por um psiquiatra sênior, Dr. Andrei Tkachenko, que o declarado legalmente são em 18 de outubro. Em dezembro de 1991, os detalhes da prisão de Chikatilo e um breve resumo de seus crimes foram liberados para a mídia.


RECONSTITUIÇÃO
RECONSTITUIÇÃO
RECONSTITUIÇÃO
Julgamento e Execução

O julgamento de Andrei Chikatilo foi o maior evento da Rússica pós Soviética. Chikatilo foi julgado em Rostov, em 14 de Abril de 1992. Durante o julgamento, ele foi mantido em uma jaula de ferro no canto da sala do tribunal para protegê-lo do ataque de inúmeros parentes histéricos e cheios de raiva. A cabeça de Chikatilo tinha sido raspada - uma precaução padrão da prisão contra piolhos. Parentes das vítimas gritavam ameaças e insultos a Chikatilo durante todo o julgamento, exigindo que as autoridades o libertassem para que eles pudessem matá-lo. Cada assassinato foi discutido individualmente, e em diversas ocasiões os parentes das vítimas caíam em lágrimas quando os detalhes do assassinato de seus entes queridos eram revelados; alguns até desmaiaram.

Chikatilo regularmente interrompia o julgamento, se expondo, cantando, e se recusando a responder as questões feitas a ele pelo júri. Ele regularmente era removido da sala do tribunal por interromper os procedimentos. Em 13 de Maio, Chikatilo retirou sua confissão para seis dos assassinatos que ele havia admitido anteriormente.

Em Julho de 1992, Chikatilo exigiu que o juiz fosse substituído por fazer muitas observações precipitadas sobre sua culpa. Seu advogado de defesa apoiou a reivindicação. Tanto o Ministério Público como o procurador apoiado o julgamento da defesa, afirmando que o juiz tinha realmente feito demasiadas essas observações. O juiz determinou o promotor que seria colocado em seu lugar.

Em 9 de Agosto, tanto acusação e defesa entregaram os seus argumentos finais diante do juiz. Chikatilo novamente tentou interromper o processo e teve de ser retirado do tribunal. A sentença final foi adiada para 14 de outubro. Quando as deliberações finais começaram, o irmão de Lyudmila Alekseyeva (uma garota de 17 anos foi morta por Chikatilo em Agosto de 1984), jogou um pedaço pesado de metal em Chikatilo, atingindo-o no peito. Quando a segurança tentou prender o jovem, os parentes das outras vítimas cercaram ele, impedindo-o de ser preso.

Em 14 de Outubro, o tribunal foi convocado e o juiz leu a lista de assassinatos de novo, não terminou até o dia seguinte. Em 15 de outubro, Chikatilo foi considerado culpado de 52 dos 53 assassinatos e condenado à morte por cada infração. Chikatilo começou a chutar o banco da sua gaiola quando ouviu o veredito e a gritar "abuso". Ele foi oferecida uma última chance de fazer um discurso em resposta ao veredicto, mas permaneceu em silêncio. Após passar sentença final, o Juiz Leonid Akhobzyanov fez o seguinte discurso:

"Levando em consideração os monstruosos crimes que ele cometeu, esta corte não tem outra alternativa além de impor a única sentença que ele merece. Eu portanto sentencio ele a morte". 

Em 4 de Janeiro de 1994, o Presidente da Rússia Boris Yeltsin recusou o apelo por clemência. Em 14 de Fevereiro, Chikatilo foi levado para uma sala à prova de som na prisão de Novocherkassk e executado por um único tiro atrás da orelha direita.

Algumas Vítimas
Fonte: Wikipedia.org
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