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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Técnicas de interrogatório podem fazer acusado confessar crime que nunca ocorreu


Estudo revela que desenvolver memórias falsas sobre um suposto crime é mais fácil do que se imagina quando o suspeito é entrevistado de forma tendenciosa

Se você confia plenamente em suas recordações, talvez seja interessante começar a ter um pouco mais de cautela ao olhar para o próprio passado: a memória é um território nebuloso e maleável, que pode tomar como legítimos acontecimentos completamente fictícios. Um estudo conduzido por pesquisadores do Reino Unido e do Canadá comprovou que o desenvolvimento de memórias falsas é mais comum do que pensamos, e que o teor do conteúdo inventado pode chegar a níveis alarmantes. Depois de poucas horas submetido a um interrogatório enviesado, um adulto completamente inocente é capaz de ser convencido de que cometeu crimes tão graves como assalto à mão armada durante sua adolescência.

“Tudo o que os participantes precisam para gerar uma memória falsa ricamente detalhada são três horas em um ambiente de entrevista amigável, onde o entrevistador introduza alguns detalhes errados e use técnicas pobres de recuperação de memória”, disse
em um comunicado Julia Shaw, pesquisadora principal do estudo e psicóloga da Universidade de Bedfordshire. Os resultados a que chegou impressionam: 71% dos participantes submetidos à história de que cometeram um crime quando adolescentes de fato acreditaram na versão, e desenvolveram uma memória falsa do episódio.
"Pesquisadores acreditam que incorporar detalhes verdadeiros tornem o evento falso familiar e até plausível"


A pesquisa reuniu ao todo 60 estudantes universitários, e começou com uma sondagem dos psicólogos com os responsáveis pelos estudantes. Eles enviaram questionários aos pais ou outros familiares pedindo que relatassem com o máximo de detalhes eventos específicos que os participantes vivenciaram dos 11 aos 14 anos – a instrução era de que não discutissem as questões entre si. Depois desta etapa inicial, os pesquisadores realizaram três entrevistas de 40 minutos com cada voluntário, uma por semana.

Na primeira, os alunos foram introduzidos a dois eventos de sua juventude, sendo que apenas um deles ocorreu de verdade. Para alguns, o acontecimento falso podia ser um crime como assalto à mão armada ou roubo, que poderia inclusive ter resultado em contato com a polícia. Para outros, o evento era de natureza emocional, como um acidente, ataque de cão ou perda de grande quantia de dinheiro. Um aspecto importante é que as histórias falsas incluíam detalhes verdadeiros sobre aquele período da vida da pessoa, retirados dos questionários dos responsáveis.

Nos encontros seguintes, os participantes eram encorajados a trazer à tona o máximo de informações que conseguissem sobre os dois eventos, mesmo que tivessem dificuldades. Eles tiveram ainda que descrever certos aspectos de cada memória, como quão vívida ela era e o quão confiantes estavam a respeito. As conclusões apresentadas
no artigo são surpreendentes: além dos 71% que foram convencidos de ter cometido um crime, 76,6% também criaram memórias falsas sobre os eventos emocionais. Os pesquisadores acreditam que incorporar detalhes verdadeiros como o nome de um amigo a relatos supostamente corroborados pelos responsáveis tornam o evento falso tão familiar que até parece plausível.

“Nestas circunstâncias, processos reconstrutivos de memória inerentemente falíveis podem gerar prontamente lembranças falsas com um realismo espantoso”, diz Shaw. “Nestas sessões tivemos alguns participantes relembrando detalhes incrivelmente vívidos e reencenando crimes que nunca cometeram”, relatou. As descobertas têm claras implicações em investigações criminais, mas também em outros contextos, como terapias psicológicas. “Entender que estas memórias falsas complexas existem e que indivíduos ‘normais’ podem ser levados a gerá-las tão facilmente é o primeiro passo para prevenir que aconteçam”.
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