Essa comunidade é o reduto das pessoas interessadas nessas duas especialidades da ciência criminal, que até então não tinham como discutir, trocar informações e novidades sobre a criminologia e psicologia forense.

Postagem em destaque

Serial Killers - Parte XI - Mitos Sobre Serial Killers Parte 6

#6: ELES SÃO TODOS BRANCOS Contrariando o mito popular, nem todos os serial killers são brancos. Serial killers existem em todos os gr...

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

CASO BETH THOMAS - Uma Possível Cura?

OBS: Os relatos teóricos sobre o Caso Beth Thomas são escassos, porém o filme baseado no caso juntamente com um documentário com trechos da terapia da menina nos fornecem informações a respeito do processo de vitimização sofrido por Beth, seu comportamento antissocial e perverso em resposta aos abusos sofridos, bem como processo terapêutico que teve o objetivo de resgatar o afeto quase inexistente da menina e proporcionar uma possível cura. Será? Leia, Assista e Tire suas próprias conclusões!

A mãe de Beth morreu quando ela tinha 1 ano de idade e ela e seu irmão Jonathan foram deixados com o pai. O sádico pai abusou sexualmente de Beth durante os 7 meses seguintes até que os filhos foram tirados de suas mãos por assistentes sociais. Para se ter uma idéia, Jonathan que tinha 7 meses, tinha sua cabeça na parte de trás plana, fato ocasionado por ele ficar o tempo inteiro deitado de costas no berço. O casal de irmãos foram adotados por um casal que não podia ter filhos, mas nenhuma informação sobre os abusos foram passados para os pais adotivos. 

No novo lar, Beth começou a ter pesadelos sobre um “homem que caia sobre ela e a machucava com uma parte dele.” Os pais adotivos começaram a desconfiar de que algo estava errado. Beth foi pega várias vezes se masturbando. Em uma delas, ela fez sangrar a própria vagina e teve que ser hospitalizada. Beth começou também a torturar os animais de estimação da família. Enfiava agulhas nos animais e quebrou o pescoço de filhotes de pássaros. Ela também torturava o irmão Jonathan, dava agulhadas nele além de espancá-lo. Sua intenção era clara: Ela queria matá-lo. Muitas vezes ela expressou o desejo de matar a família inteira, incluindo seus pais. 

No documentário Beth descreve o abuso que sofreu do seu pai biológico da mesma forma como descreve como molestou seu irmão, fria e calma. Talvez, o aspecto mais perturbador do comportamento de Beth seja a completa falta de remorso e preocupação por suas ações. Durante todo o tempo ela estava consciente de que suas ações eram erradas e dolorosas, mas isso simplesmente não importava para ela. Após os vários incidentes com Beth, seus pais adotivos a levaram a um terapeuta que diagnosticou Beth como sendo um caso grave de “Transtorno de Apego Reativo”. O Transtorno de Apego Reativo é caracterizado pelo desenvolvimento de formas perturbadas e inadequadas de estabelecer relacionamentos, geralmente por causa de uma história de maus tratos. A característica principal do Transtorno de Apego Reativo é uma ligação social perturbada e inadequada, com início aos 5 anos de idade e associada ao recebimento de cuidados amplamente patológicos. 

A condição de Beth envolve a completa incapacidade de se relacionar com qualquer ser humano e uma completa falta de empatia, características presentes na psicopatia e sociopatia. Entretanto, essa definição (psicopata) não foi dada em Beth pois na época o termo não podia ser utilizado como diagnóstico em pessoas com menos de 18 anos. Na verdade até hoje existe uma grande discussão em torno do diagnóstico de psicopatia em crianças. Como eu escrevi no último post, existem especialistas que dizem que sim, a psicopatia pode ser diagnosticada em crianças e já a partir dos 3 anos de idade. Já outros são mais reticentes e afirmam que não, uma criança não tem sua personalidade completamente formada, por isso o diagnostico de psicopatia não pode ser dado a crianças. 

Psicopata ou não, o comportamento de Beth era tão perverso que em abril de 1989 ela foi tirada de sua casa e internada para tratamento intensivo. Ela foi internada em uma casa especial de tratamento de crianças com transtorno severo de comportamento. No documentário a terapeuta da casa, Connel Watkins, chega a dizer que ela já havia tido sucesso ao tratar de crianças assassinas de apenas 9 anos de idade. 

O tratamento imposto a Beth na casa foi bastante rígido e cheio de regras, algo horrível para uma criança como ela que certamente não respeita e não gosta de regras. À noite ela era trancada no quarto para que ela não pudesse sair e ferir outras crianças. Ela deveria pedir permissão para tudo. Desde a ida ao banheiro para fazer xixi até para beber água. Ao longo do tempo estas restrições foram sendo tiradas e o comportamento de Beth pareceu ter melhorado. Dentro de um ano de vida na casa de seu comportamento foi tão recuperado que Beth foi autorizado a dividir o quarto com a filha do próprio terapeuta. 

Uma transição notável ocorreu em Beth Thomas . Ela aprendeu a empatia e remorso quando alguém estava ferido. Ela aprendeu sobre certo e errado. Quando ela falou sobre seu abuso anterior de Jonathan chorou abertamente. Ela já não falava sobre odiar alguém ou querer matar ninguém. Ela não se masturbava mais. Sua terapia levou anos para ser concluído e Beth, como qualquer vítima de abuso infantil, provavelmente vai viver sempre com as conseqüências de seu abuso em certa medida. 

Beth Thomas cresceu uma mulher mentalmente saudável . Ela obteve uma licenciatura em
enfermagem . "Ela e sua mãe adotiva Nancy Thomas criaram uma clínica para crianças com distúrbios graves de comportamento. Nancy Thomas escreveu um livro intitulado -leão no meu travesseiro, faca de açougueiro Beneath (Lidar com problemas pessoais) . O website de Nancy e Beth Thomas é www.attachment.org

Viver uma vida normal, porém, não quer dizer que ela deixou de ter um transtorno antissocial. Não estou dizendo que ela é uma psicopata, mas sabemos que a maioria dos psicopatas não matam. Ao contrário, eles usam a manipulação e o carisma para se dar bem na vida. Eles aprendem a imitar emoções, apesar de sua incapacidade para realmente sentí-los, o que faz com que, aos olhos de outras pessoas, pareçam inocentes e normais. Psicopatas são (frequentemente) educados e possuem empregos estáveis. Alguns são tão bons em manipular, que formam famílias e relacionamentos de longo prazo com outras pessoas, sem que elas suspeitem de absolutamente nada. 

Um fato interessante com relação a essa história. Em abril de 2000, Connel Watkins, a terapeuta de Beth, conduziu uma sessão de terapia fatal em uma menina de 10 anos chamada Candance Newmaker. A terapia conhecida como “renascimento” culminou na asfixia de Candance. Connel foi condenada a 16 anos de prisão, cumpriu 7 anos e foi libertada em 2008. Ela foi proibida de trabalhar com crianças. Clique aqui para mais informações sobre esse caso.
Reações:

0 comentários:

Postar um comentário