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segunda-feira, 27 de julho de 2009

Caso Richthofen- Parte I



Caso Richthofen
Local do Crime: Brooklin São Paulo, SP
Vítimas: Manfred von Richthofen, Marísia von Richthofen
Réus: Daniel Cravinhos, Christian Cravinhos, Suzane von Richthofen
Local do Julgamento: Fórum Criminal da Barra Funda, São Paulo
Promotor: Roberto Tardelli
Juiz: Alberto Anderson Filho
Advogado de defesa: Denivaldo Barni e Mauro Otávio Nacif (Suzane); Divaine Jabur e Geraldo Jabur (irmãos Cravinhos)
Situação: Suzane e Daniel cravinhos condenados a 39 anos e 6 meses de reclusão; Christian Cravinhos condenado a 38 anos e 6 meses de reclusão

O Caso Richthofen é um processo polêmico que chocou a opinião pública brasileira. Uma das rés, Suzane Louise von Richthofen, foi acusada de ter planejado a morte dos próprios pais, com o auxílio do então namorado Daniel Cravinhos e de seu irmão, Cristian Cravinhos. O júri do caso entendeu que Suzane foi influenciada pelos irmãos, mas que poderia ter resistido e evitado o crime.

O interesse da população pelo caso foi tão grande que a rede TV Justiça cogitou transmitir o julgamento ao vivo. Emissoras de TV, rádios e fotógrafos chegaram até a ser autorizadas a captar e divulgar sons e imagens dos momentos iniciais e finais, mas o parecer definitivo negou a autorização. Cinco mil pessoas inscreveram-se para ocupar um dos oitenta lugares disponíveis na platéia, o que congestionou, durante um dia inteiro, a página do Tribunal de Justiça na internet. É dessas pessoas autorizadas que se conhece o que houve no julgamento.


Como ocorreu o crime

Segundo a Promotoria de Justiça do estado de SP, Suzane von Richthofen teria sido o cabeça de toda a ação criminosa que culminou no assassinato de seus pais Manfred Albert e Marísia von Richthofen. Fez, inclusive, convidando os Cravinhos, dias antes do crime, um teste de barulho causado pelos disparos de uma arma de fogo e com isso descartaram a idéia de utilizar uma.

Na tarde de 31 de outubro de 2002, Suzane e Daniel Cravinhos repassaram pela última vez os planos do assassinato dos pais da moça. Conversaram com Christian, que morava na casa da avó, e Christian, ainda relutante, não deu a certeza de que participaria nos eventos que se seguiriam à noite. Daniel pediu que o irmão pensasse a respeito e,se resolvesse ajudá-los, que os esperasse em uma dada rua, próxima a um Cyber Café aonde levariam Andreas von Richthofen. O casal de namorados levou o irmão da garota, Andreas, para se divertir em um Cyber Café, com o intento de deixar o caminho livre para o assassinato dos pais. Posteriormente, pegaram Cristian Cravinhos, que os esperava em uma rua próxima como combinado e, juntos, foram à casa dos von Richthofen.Passava de meia noite de 31 de outubro de 2002 quando o trio chegou na casa da família Richthofen. Dias antes da fatídica noite, Suzane havia meticulosamente desligado o alarme e as câmeras de vigilância da casa,de modo que nenhuma imagem do trio chegando fosse capturada. Os três afirmavam que Suzane não participou do assassinato em si, mas não há consenso sobre sua posição na casa enquanto o crime ocorria, e nem se, findo o ato, ela subiu ao quarto e viu os corpos dos pais (é importante notar que, caso Suzane tenha visto os cadáveres, isto diz muito sobre sua personalidade, considerando seu calmo estado de espírito após o assasinato).

O primeiro a ser atingido foi Manfred, que morreu quase imediatamente por trauma crânio-encefálico, segundo dados da perícia. Marísia sofreu mais: foi golpeada impiedosamente na cabeça por Christian, sofreu vazamento de massa encefálica, todavia, não morreu na hora. Para apressar a morte da mãe de Suzane, Christian a estrangulou. A casa foi mais tarde revirada e alguns dólares foram levados, para forjar latrocínio (roubo seguido de morte).

Os dólares e euros foram repassados para Christian, como recompensa pela sua participação. Após o brutal assassinato, Cristian foi deixado perto do apartamento onde mora com a avó e o casal de namorados tratou de forjar o álibi para aquela noite. Entraram no Motel Colonial, na Zona Sul da capital, e escolheram a melhor suíte. Suzane fez questão de guardar a nota fiscal. Pagaram R$ 380 pelo conforto do quarto e por um lanche. Saíram do motel às 2h56 da madrugada e foram ao encontro de Andreas que os aguardava no Cyber Café. Após algumas voltas pela cidade, Suzane deixou o namorado em casa e foi com o irmão para a sua. Pouco depois, conforme o plano original, começou a segunda etapa da simulação.

Às 4h09, Daniel contactou a polícia. Disse que estava em frente à casa da namorada, que suspeitava de um assalto no lugar e pediu a presença de uma viatura. O comportamento do jovem chamou logo a atenção do Oficial Boto, um dos primeiros homens a atender o caso na madrugada: Daniel perguntou a Boto "Você sabe se levaram alguma coisa de dentro da casa?Parece que a família guardava todo o dinheiro em uma caixinha" e Daniel em seguida deu os valores exatos das quantias guardadas. O comportamento,aos olhos de Boto, levantou fortes suspeitas. Quando a polícia chegou entraram todos na casa e encontraram o casal Richthofen morto na cama. A cena do crime já apresentava elementos que levaram a polícia a suspeitar de pessoas próximas ao casal. Os rostos cobertos apontam um sinal de que os agressores são conhecidos das vítimas. Também causou dúvidaso fato de o alarme da casa não ter funcionado. Se tivesse sido um latrocínio, acreditavam os policiais, deveria haver sinais de arrombamento. 'Percebemos várias coisas estranhas no local do crime. Isso fez com que desde o início suspeitássemos de que não se tratava de latrocínio', diz o delegado Daniel Cohen, um dos primeiros policiais a entrar na residência. Entre outras coisas, a disposição dos papéis no chão da biblioteca sugeria que a papelada tinha sido colocada propositadamente ali.

Passado dois dias do crime, as suspeitas para com Suzane e o namorado adquiriram consistência mais forte, quando investigadores do DHPP apareceram para uma vistoria e surpreenderam Suzane, Daniel, Andreas e um casal de amigos celebrando alegremente à beira da piscina, ao som de música alta. Pouco depois de exibir lágrimas comovidas no enterro dos Richthofen, todos festejavam,tomavam cerveja e ouviam música na beira da piscina. No dia seguinte, um domingo, o casal de namorados foi até o sítio da família no interior de São Paulo, onde comemoraram o aniversário de 19 anos de Suzane. Os colegas de faculdade da garota contam que lhes chamou atenção o comportamento de Suzane. Mesmo dispensada de assistir às aulas, ela não chegou a faltar um único dia. Chegou a apresentar um seminário na quinta-feira - horas antes de confessar o crime. 'Ela se mostrava tranqüila demais. Nos preocupamos tanto com o assaltante da esquina que nem imaginamos que havia uma criminosa na cadeira ao lado', diz Ana Carolina Caires, estudante da mesma faculdade. Suzane era abordada por colegas querendo confortá-la, mas sempre respondia de forma lacônica. Apenas no enterro, acompanhado pela imprensa, ela demonstrou emoção. 'Só nesse momento ela fez o papel de órfã', diz o delegado Armando Oliveira, do DHPP.

Os telefones da casa foram grampeados, campanas foram montadas nos arredores das casas dos principais suspeitos, e finalmente um equívoco de Christian forneceu aos investigadores o fio da meada para desvendar o crime:Apenas dez horas após o crime ele comprou uma moto Suzuki 1.100 cilindradas por US$ 3,6 mil, com 36 notas de US$ 100. Estava tão convicto de que jamais seria apanhado que nem se preocupou em escondê-la. Dias depois do crime uma equipe de investigadores do 27º Distrito Policial passava em frente à casa de Daniel e a motocicleta lhes chamou a atenção. Desconfiados, descobriram que acabara de ser comprada por Cristian, quando era de amplo conhecimento na rua que o rapaz até poucos dias atrás não tinha dinheiro algum para uma compra de tamanho valor. Segundo o vendedor, Cristian ainda pediu que a moto não fosse registrada em seu nome, pois estaria com o 'nome sujo'.

Na quinta-feira, a polícia procurou Cristian em casa, dizendo que precisavam de sua ajuda para o reconhecimento de um suspeito. O rapaz foi até a delegacia, quando lhe foi revelada a verdadeira razão de ele ali se encontrar. Passou cerca de seis horas dando respostas contraditórias e confusas às perguntas dos delegados, cada vez mais se enrolando em suas mentiras. Chegou a dar três versões sobre a compra da moto até admitir que era dele o dinheiro. Nessa hora, seu pai, Astrogildo Cravinhos de Paula e Silva, saiu da sala, bastante nervoso, sentindo que o filho havia sido apanhado. Em outra sala, já se encontravam Daniel e Suzane, que, segundo a polícia, confessaram depois de Cristian.

As armas usadas no assassinato foram cunhadas e construídas por Daniel Cravinhos. O rapaz pegou uma barra de ferro oca e preencheu-a com madeira. de modo que as pauladas com o objeto fossem fulminantes. Conforme relatos de moradores da vila onde morava a família Cravinhos, os irmãos eram considerados delinqüentes e aproveitadores. São dez casas iguais numa travessa estreita e sem saída, onde todos se conhecem há muito tempo. Há alguns anos Daniel e Cristian tocavam bateria, cantavam alto, gritavam palavrões e fumavam maconha com freqüência, segundo os vizinhos. Suzane, Daniel e Cristian tiveram a prisão temporária decretada e foram indiciados por homicídio qualificado e roubo.
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