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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Caso da Semana: Jack, o Estripador Parte I


Jack, o Estripador (em inglês: Jack the Ripper) foi o pseudônimo dado a um assassino em série não-identificado que agiu no distrito de Whitechapel em Londres na segunda metade de 1888. O nome foi tirado de uma carta, enviada à Agência Central de Notícias de Londres por alguém que se dizia o criminoso.

Suas vítimas eram mulheres que ganhavam a vida como prostitutas. Duas delas tiveram a garganta cortada e o corpo mutilado. Teorias sugerem que, para não provocar barulho, as vítimas eram primeiro estranguladas, o que talvez explique a falta de sangue nos locais dos crimes. A remoção de órgãos internos de três vítimas levou oficiais da época a acreditarem que o assassino possuía conhecimentos anatômicos ou cirúrgicos.

Os jornais, cuja circulação crescia consideravelmente durante aquela época,deram ampla cobertura ao caso, devido à natureza selvagem dos crimes e ao fracasso da polícia em efetuar a captura do criminoso — que tornou-se notório justamente por conseguir escapar impune.
                        Caricatura de Jack o Estripador publicada na revista Punch, setembro de 1888

Devido ao mistério em torno do assassino nunca ter sido desvendado, as lendas envolvendo seus crimes tornaram-se um emaranhado complexo de pesquisas históricas genuínas, teorias conspiratórias e folclores duvidosos. Diversos autores, historiadores e detetives amadores apresentaram hipóteses acerca da identidade do assassino e de suas vítimas.

Antecedentes

Em meados do século XIX, a Inglaterra experimentou um rápido influxo de imigrantes irlandeses, que incharam a população de desfavorecidos tanto no interior quanto nas principais cidades inglesas. A partir de 1882, refugiados judeus, escapando dos pogroms da Rússia czarista e do leste europeu, aumentaram ainda mais os índices de superpopulação, desemprego e falta de moradia. Londres, particularmente nas regiões do East End e Whitechapel, tornou-se cada vez mais sobrecarregada, resultando no desenvolvimento de uma imensa sub-classe econômica. Esta situação de pobreza endêmica levou várias mulheres à prostituição. Em outubro de 1888, a Polícia Metropolitana de Londres estimou a existência de 1.200 prostitutas de "classe muito baixa" vivendo em Whitechapel e em aproximadamente 62 bordéis. Os problemas econômicos vieram acompanhados por uma elevação contínua das tensões sociais. Entre 1886 e 1889, manifestações de famintos e desempregados eram uma constante rotina nas ruas londrinas.

Os assassinatos geralmente atribuídos a Jack o Estripador ocorreram na metade final de 1888, apesar da série de mortes brutais em Whitechapel persistirem até 1891. Parte dos assassinatos envolveram atos extremamente pavorosos, como mutilação e evisceração, narrados em detalhes pela mídia. Rumores de que os crimes poderiam estar conectados intensificaram-se em setembro e outubro, quando diversos órgãos de imprensa e a Scotland Yard receberam uma série de cartas perturbadoras de um remetente ou vários, assumindo responsabilidade por todos ou alguns dos assassinatos. Uma carta em particular, recebida por George Lusk do Comitê de Vigilância de Withechapel, incluía metade de um rim humano preservado. Principalmente devido à natureza excessivamente brutal dos crimes e a cobertura midiática dos eventos, o público passou a crer cada vez mais em um único assassino em série a aterrorizar os moradores de Whitechapel, apelidado de "Jack o Estripador" após a assinatura de um cartão-postal recebido pela Agência Central de Notícias. Apesar de as investigações não terem sido capazes de conectar as mortes posteriores aos assassinatos de 1888, a lenda de Jack o Estripador já havia se consolidado.


Vítimas conhecidas

Os arquivos da Polícia Metropolitana mostram que a investigação teve início em 1888, eventualmente abrangendo onze assassinatos ocorridos entre 3 de abril de 1888 e 13 de fevereiro de 1891. Além destes, escritores e historiadores conectaram pelo menos sete outros assassinatos e ataques violentos a Jack o Estripador. Entre as onze mortes investigadas ativamente pela polícia, chegou-se a um consenso de que cinco foram praticadas por um único criminoso, vítimas que são conjuntamente chamadas de "cinco canônicas":

Mary Ann Nichols ( 31 de Agosto de 1888)


Alcunha: Mary Ann Walker; apelido: Polly

Idade: 43 anos

Ocupação: Prostituta
Local: Buck's Row, Whitechapel, Londres.

Causa da Morte: Estrangulamento, Lesões na garganta, abdômen e face

Instrumento: Perfurocortante

Histórico: A vítima perambulava pela região da ocorrência na tentativa de obter dinheiro para custear pernoite em albergue.

Nome de solteira: Mary Ann Walker, nascida em 26 de agosto de 1845 e morta em 31 de agosto de 1888, uma sexta-feira. O corpo de Nichols foi descoberto aproximadamente às 3:40 da madrugada no terreno em frente à entrada de um estábulo em Buck's Row (hoje Durward Street). Sua garganta sofreu dois cortes profundos, e a parte posterior do abdômen foi parcialmente arrancada por um golpe intenso e irregular. Havia também diversas incisões pelo abdômen, e três ou quatro cortes similares no lado direito causadas pela mesma faca. Nichols foi descrita como tendo uma aparência bem mais jovem do que seus 43 anos sugeriam.

" Querido pai, escrevo para dizer que ficará feliz em saber que já estou morando na casa nova e que tudo ficará bem. As pessoas são ótimas e quase não tenho o que fazer. Espero que o Sr. esteja bem e o garoto trabalhando. Adeus sua querida Polly. escreva-me logo para dizer como está." - Carta de Mary Ann Nichols para seu pai.

No dia do seu assassinato ela tinha atendido três clientes, mas gasto todo o seu dinheiro com gim. Ao voltar para a pensão para dormir, não tinha dinheiro para pagar o quarto e foi barrada pelo dono do estabelecimento. Teve que voltar para as ruas em busca de um quarto cliente. Estava confiante pois estava linda, o motivo; o novo chapéu que usava.

Este fora o segundo crime com as mesmas características ocorrido no bairro de Whitechapel. 16 dias antes, uma prostituta chamada Marta Traban fora encontrada com a garganta cortada e tinha um corte profundo no abdômen. Muitos especialistas  acreditam que este teria sido o primeiro crime de Jack, O Estripador. Até hoje, há uma controvérsia sobre qual desses dois crimes teria sido o primeiro crime de Jack.

Marta Traban (07/08/1888)


Alcunha: Emma Turner

Idade: 39 anos

Ocupação: Prostituta
Local: George Yard Buildings, Whitechapel, Londres.

Causa da Morte: Lesões no abdômen e órgãos internos

Instrumento: Contundente e Perfurocortante

Histórico: A vítima perambulava pela região da ocorrência na tentativa de obter dinheiro para custear pernoite e alimentação. Não há consenso entre os historiadores sobre a atribuição dessa morte à Jack, O estripador.


Annie Chapman (18/09/1888)



Nome: Eliza Ann Smith; apelido: Dark Annie, 

Idade: 47 anos

Ocupação: Prostituta
Local: Hanbury Street, Whitechapel, Londres.

Causa da Morte: Sufocamento, Lesões no pescoço, abdômen e genitais

Instrumento: Perfurocortante

Histórico: Questionada sobre quando pagaria o quarto para a pernoite, respondeu: "Volto Logo" com o dinheiro. O corpo foi encontrado a 300 metros do cortiço onde  costumava passar a noite.

Nascida em setembro de 1841 e morta em 8 de setembro de 1888, um sábado. O corpo de Chapman foi descoberto aproximadamente às 6:00 da manhã no quintal de uma casa em Hanbury Street, Spitafields. Assim como Mary Ann, sua garganta foi aberta por dois cortes, um mais profundo que o outro. O abdômen foi completamente aberto, e o útero, removido.


Investigação

Os arquivos policiais sobre os assassinatos em Whitechapel fornecem uma visão detalhada dos procedimentos investigativos da era vitoriana. Uma ampla equipe de policiais conduziu investigações casa-a-casa, listas de suspeitos foram formuladas, e muitos deles interrogados, e material forense coletado e examinado. Uma leitura detalhada da investigação demonstra o processo básico de identificar suspeitos, rastreá-los e decidir a necessidade de examinar seus passos ou riscá-los da lista. Este continua sendo o padrão da maioria das investigações atualmente.

A investigação foi inicialmente conduzida pela Whitechapel (H) Division C.I.D., chefiada pelo Inspetor-Detetive Edmund Reid. Depois do assassinato de Nichols, os Inspetores-Detetives Frederick Abberline, Henry Moore e Walter Andrews foram designados pelo Escritório Central da Scotland Yard para acompanharem as investigações. Após o assassinato de Eddowes, que ocorreu nos limites da Cidade de Londres, a Polícia Metropolitana sob a chefia do Inspetor-Detetive James McWilliam também foi engajada no caso.

As prostituas locais descreviam um homem que as ameaçavam: " Ele é baixo, mas forte. Tem os cabelos e o bigode pretos, e o pescoço fino. Veste uma capa com um avental de couro. Ele balança uma faca e diz: Vou cortar você!

Baseando-se  nessas informações a polícia prendeu como principal suspeito um pobre poloneu-judeu que morava em Whitechapel. Logo a imprensa o apelidou de "O Avental de Couro". Mas como não haviam provas para incriminá-lo pelos crimes, foi solto. Em seguida, a polícia passou a se concentrar em médicos e cirurgiões. estudantes de medicina desequilibrados foram investigados, e qualquer um que que fosse médico e carregasse uma maleta era considerado suspeito.

Durante o curso dos assassinatos, a polícia e os jornais receberam centenas de cartas sobre o caso. Algumas eram de pessoas bem-intencionadas oferecendo informações para a captura do criminoso; a maioria delas, entretanto, foram consideradas inúteis, e posteriormente ignoradas.

Talvez o mais interessante foram as diversas mensagens que conclamavam terem sido escritas pelo assassino (o apelido “Jack, o Estripador” foi cunhado a partir de uma dessas mensagens); a grande maioria não passava de falsificações. Muitos especialistas afirmam que nenhuma delas era verdadeira, mas entre as citadas como provavelmente genuínas, tanto por autoridades da época quanto atuais, três em particular se destacam:

-> A carta ao “Caro Chefe”, datada de 25 de setembro. Carimbada pelo correio e recebida em 27 de setembro de 1888 pela Agência Central de Notícias, foi encaminhada à Scotland Yard em 29 de setembro. Inicialmente foi considerada uma farsa, mas quando o corpo de Eddowes foi encontrado com um ferimento na orelha, a promessa da carta de “arrancar as orelhas das senhoritas” ganhou notoriedade. A polícia publicou-a em 1 de outubro esperando que alguém reconhecesse a grafia, não obtendo resultados. O nome “Jack o Estripador” foi usado pela primeira vez nesta mensagem, tornando-se conhecido mundialmente depois de sua publicação. A maioria das cartas seguintes copiavam o tom desta. Após o fim dos assassinatos, os oficiais de polícia afirmaram que a carta era uma falsificação feita por um jornalista local.

" Querido Patrão,
Ouvi dizer que a polícia me agarrou mas não me prendeu. a brincadeira sobre o Avental de Couro soou muito bem. Tenho nojo de prostitutas e vou cortá-las até você me pegar.
Fiz um grande trabalho da última vez, não dei à Dama nem a chance de gritar. Eu amo o meu trabalho. Você em breve ouvirá falar de mim novamente quando eu começar meu divertidos joguinhos.
Minha faca é boa e afiada e quero começar a trabalhar agora se tiver a oportunidade.
Sinceramente: Jack, O Estripador."

Assustados com o teor da carta, a polícia colocou reforços extras nas ruas. Apesar disso, a direção geral dos interrogatórios foi atrasada e confundida pelo fato de o novo chefe do Departamento de Investigação Criminal, Sir Robert Anderson, encontrar-se em viagem à Suíça entre 7 de setembro de 15 de outubro, período no qual Chapman, Stride e Eddowes foram assassinadas. Isto levou o Comissário Chefe, Sir Charles Warren, a indicar o Superintendente Donald Swanson para a coordenção dos interrogatórios feitos pela Scotland Yard. As notas de Swanson sobre o caso sobreviveram, tornando-se uma fonte valiosa de detalhes sobre a investigação.

Devido em parte à insatisfação quanto aos esforços policiais, um grupo de cidadãos londrinos do East End passou a patrulhar voluntariamente as ruas de Londres em busca de indivíduos suspeitos. Chamados de Comitê de Vigilância de Whitechapel, eles exigiram que o governo oferecesse uma recompensa por informações sobre o assassino, e contrataram detetives particulares para interrogar testemunhas em paralelo ao trabalho da polícia. O comitê foi liderado por George Lusk, e posteriormente por Albert Bachert.

24 horas depois de receberem a carta, as prostitutas Liz Stride e Kate Eddowes são encontradas mortas.



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